Domingo, 9 de agosto de 2026
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Após vencer o segundo turno da eleição na Guatemala em 20 de agosto, o presidente eleito Bernardo Arévalo denunciou na noite de sexta-feira (01/09) um plano de um golpe para impedi-lo de assumir o poder.

O resultado do pleito foi oficializado pelo Tribunal Supremo Eleitoral do país, mas, segundo Arévalo, um grupo de “políticos corruptos se negam a aceitar” sua vitória. Isso por que, na última semana, por supostas irregularidades, o partido do presidente eleito Movimento Semilla teve sua personalidade jurídica suspensa pela segunda vez, por decisão do juiz Fredy Orellana.

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“Enquanto por um lado foi iniciada as formalidades protocolares do processo de transição, por outro foi imposto um plano para romper a ordem constitucional e violentar a democracia”, disse Arévalo em comunicado. Para ele, essas ações constituem um golpe de Estado. 

Nesse sentido, o presidente eleito disse que o país está vendo um golpe em que o “aparto de Justiça é usado para violar a própria justiça”. “Está sendo levado a cabo, passo a passo, mediante ações espúrias, ilegítimas e ilegais em distintas instâncias, cujo objetivo é impedir a posse das autoridades eleitas, incluindo o presidente, a vice-presidente e nossos deputados e deputadas ao Congresso”, afirmou ele, que assume a Presidência em 14 de janeiro de 2024. 

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Para conter o avanço contra ele e seu partido, Arévalo fez um chamado aos diversos setores da sociedade guatemalteca para “unir forças em defesa da democracia e do respeito irrestrito da vontade popular”. 

“Faço um chamado para que nos unamos para derrotar as forças golpistas que pretendem nos manter submersos na corrupção, impunidade e na pobreza”, disse ele. 

Resultado foi oficializado pelo Tribunal Supremo Eleitoral do país, mas, segundo Arévalo, 'políticos corruptos' se negam a aceitar sua vitória; posse é em 14 de janeiro

Reprodução/ @BArevalodeLeon

Bernardo Arévalo venceu segundo turno contra Sandra Torres em 20 de agosto

Devido a esta suspensão provisória, a Mesa Diretora do Congresso declarou na quarta-feira (30/08) independentes os deputados de Semilla, o que poderia retirar-lhes os direitos de bancada. No dia seguinte, a Mesa Diretora decidiu dissolver a bancada do Movimento Semente composta por sete deputados.

Essa decisão afetou o próprio Arévalo, que ainda exerce o cargo de deputado na Guatemala. O Semilla prometeu recorrer, falando que a Mesa, que é presidida por conservadores do Vamos, partido do atual governo de Alejandro Giammattei, tomou “medidas desesperadas de um regime decadente”. 

Na primeira vez da suspensão, episódio similar ocorreu após o primeiro turno das eleições, mas foi revertido pela Justiça guatemalteca, abrindo caminho para que o Semilla fosse ao segundo turno contra Sandra Torres, do Unidade Nacional da Esperança (Une).

A própria Torres não reconheceu a derrota e ainda publicou um documento em nome de seu partido, do qual chama a validação dos resultados de “precipitada” e “irregular”

Agora, Arévalo busca apoio das “pessoas e organizações comprometidas com a democracia” e defender com ações legais e políticas “necessárias para defender a decisão do povo”. 

Brasil pede que transição de poder seja respeitada

O governo brasileiro manifestou “grave preocupação” com a situação política na Guatemala após o Movimento Semilla ter sua personalidade jurídica suspendida provisoriamente. 

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores do país disse conclamar que as autoridades guatemaltecas assegurarem uma “transição pacífica e respeitosa dos mandatos conferidos nas urnas”.

“O governo brasileiro entende que a segurança jurídica e a previsibilidade do processo de transição, bem como o respeito às prerrogativas e imunidades das autoridades eleitorais, dos partidos políticos e dos candidatos eleitos são elementos indispensáveis para o efetivo exercício da soberania popular por meio do voto”, disse o comunicado.