Até a próxima sexta-feira (29/09), a cidade balneária de Biarritz, no sudoeste da França, é palco de mais uma edição do tradicional Festival de Cinema Latino-Americano (FBAL), evento que celebra a vitalidade das produções cinematográficas de dezenas de países latino-americanos e coproduções com países europeus. O Chile é o país homenageado este ano no evento, que foi aberto no sábado (22/09) com a presença do cineasta franco-grego Costa-Gavras, ganhador da Palma de Ouro em Cannes, em 1982, por Desaparecido, filme que trata do golpe de estado chileno de 11 de setembro de 1973.
A cada ano o festival de cinema Latino-Americano de Biarritz escolhe uma temática diferente como fio condutor. Desta vez, a programação propõe aos participantes mergulhar na história do Chile, país que em 11 de setembro de 2023 relembrou os 50 anos do golpe militar que levou Augusto Pinochet a ocupar o poder durante 17 anos. A data marca o advento de ditaduras militares que devastaram muitos países do continente, e esse tema é abordado em encontros universitários e literários, mesas redondas, exposições e mostras paralelas ao longo da programação do festival.
Para falar deste período, o convidado principal deste fim de semana foi Costa-Gavras, cineasta franco-grego, cuja obra inclui inúmeras denúncias contra ditaduras.
O filme Missing, que ganhou em português o título Desaparecido – um grande mistério (1982), foi exibido ao público do festival. Inspirado numa história verídica, este thriller conta o desaparecimento de Charles, um jovem jornalista norte-americano, em um cenário de manipulação política por parte dos serviços secretos americanos. No elenco, Jack Lemmon, Sissy Spacek, Melanie Mayron, John Shea, Charles Cioffi e Jerry Hardin.
O diretor Pablo Larraín é outro convidado de honra desta edição. O cineasta chileno, autor de vários filmes sobre o seu país, teve uma sessão especial em sua homenagem, no domingo (26/09).
Ele apresenta na França o seu novo longa-metragem: El Conde (O Conde), já ganhador do prêmio de melhor roteiro na Mostra de Veneza. Presente em Biarritz, Larraín falou sobre a “importância de fazer um filme sobre a impunidade e sobre a era Pinochet”.
Outro destaque do primeiro fim de semana do festival de Biarritz foi a participação, por videoconferência, da escritora chilena norte-americana Isabel Allende. No sábado (23/09), ela falou dentro do contexto do tema “Chile: 50 anos do golpe”. De acordo com a organização, esses encontros “permitem uma melhor compreensão do impacto dos anos Pinochet sobre o Chile atual e a tirar lições para as democracias europeias”.
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A cada ano o festival de cinema Latino-Americano de Biarritz escolhe uma temática diferente como fio condutor
Nesta segunda (25/09) e terça-feira (26/09), o ator mexicano Gael García Bernal receberá o prêmio Abrazo de honra (Abraço de Honra) por toda a sua carreira. Entre seus muitos filmes, ele ficou bastante conhecido no Brasil pela atuação em “Diários de Motocicleta” (2004), do diretor brasileiro Walter Sales.
Entre os países participantes desta edição estão Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Bolívia, Chile, México e Paraguai, além de coproduções com França, Alemanha, Suécia, Reino Unido e Taiwan.
Os filmes em competição concorrem em três categorias: longas-metragens, curtas-metragens e documentários.
O festival de Biarritz ainda abre espaço para uma mostra sobre a comédia cubana, para música, literatura e artes gráficas, com uma programação paralela intensa, que inclui uma homenagem ao escritor chileno Pablo Neruda, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, em 1971.
Filmes brasileiros em competição
Dois filmes brasileiros competem na categoria longa-metragem de ficção. O primeiro deles é Propriedade, o longa de Daniel Bandeira, que aborda a questão da propriedade privada, mas também do ciúme e dos ressentimentos que ela pode suscitar. Na trama, ao saberem que a fazenda onde trabalham será transformada em um hotel, os funcionários se rebelam e pegam em armas. Teresa, a dona das terras, é obrigada a se trancar dentro de seu carro blindado, mas não consegue dar a partida, neste filme de suspense e ação.
Outro brasileiro na competição é Levante, o primeiro longa da diretora Lillah Halla. O filme conta a trajetória de uma jogadora de basquete de 17 anos que descobre uma gravidez indesejada, às vésperas de uma competição importante, e tenta fazer um aborto.
Já A invenção do Ouro, longa-metragem do brasileiro Bruno Jorge, será exibido na mostra competitiva documentário. O filme se passa em 2019, quando uma instituição brasileira lança uma importante e arriscada expedição na floresta Amazônica, em busca de um grupo de indígenas isolados e vulneráveis, em seu primeiro contato com o homem branco. A expedição é dirigida por Bruno Pereira, que seria depois assassinado na mesma região, tornando-se um símbolo da luta pela preservação dos povos indígenas.
As Miçangas, de Rafaela Camelo e Emmanuel Lavor, concorre na categoria curta-metragem. O filme conta a história de duas irmãs que se preparam para um aborto, em uma casa cercada pela natureza, sem se dar conta de que estão cercadas por uma serpente.
O Brasil também é representando por outras produções exibidas fora de competição: Retratos Fantasmas, de Kléber Mendonça filho; Sem coração, de Nara Normande e Tião e Crowrã, a flor de Buriti, de João Salaviza e Renéé Nader Messora.