Domingo, 25 de janeiro de 2026
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Menos de dois meses após sua reeleição, o presidente francês Emmanuel Macron se vê diante de um desafio: governar sem maioria na Assembleia Nacional. O segundo turno das eleições parlamentares marcou a derrota do governo, que conquistou pouco mais de 240 cadeiras de deputados e vai precisar garantir cerca de 50 votos outros para aprovar seus projetos. Para o cientista político Gaspard Estrada, da Sciences Po, Macron terá de fazer uma reforma ministerial e pode até trocar sua primeira-ministra.

O domingo (19/06) terminou com péssimas notícias para o segundo mandato de Emmanuel Macron, a coligação governista Juntos! elegeu apenas 245 deputados, número insuficiente para aprovar seus projetos reformistas. Além disso, terá de enfrentar a oposição de uma grande bancada eleita pela coalizão de esquerda Nupes (Nova União Popular, Ecologista e Social), mais de 130 deputados, e do RN (Reunião Nacional), partido de extrema direita de sua rival Marine Le Pen, com 89 cadeiras.

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Após um primeiro mandato em que governou com maioria absoluta de seu partido, Macron começa seu novo governo enfraquecido, analisa o cientista político e professor da Sciences Po Gaspard Estrada. Para garantir a governabilidade, os macronistas terão de fazer novas alianças e, para isso, uma reforma ministerial deve ser necessária.

“Ele terá de negociar com o Congresso a aprovação de seus projetos de lei. E é claro que o atual governo, tal como foi construído algumas semanas atrás, terá de ser repensado. Não excluo inclusive que ele precise trocar o primeiro-ministro, especialmente se ele quiser formar uma coalizão de governo, em particular com o partido do ex-presidente Sarkozy, Os Republicanos”, afirma.

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A moeda de troca para atrair os 61 votos da centro direita republicana pode ser a troca da chefia do governo por um perfil mais conservador. Após ser reeleito com ajuda da esquerda frente à extrema direita, Macron escolheu como primeira-ministra Élisabeth Borne, uma política com perfil técnico e considerada próxima dos socialistas.

Segundo turno das eleições parlamentares marcou a derrota do governo, que conquistou pouco mais de 240 cadeiras de deputados e vai precisar garantir cerca de 50 outros votos para aprovar seus projetos

European Parliament

Emmanuel Macron se vê diante de um desafio: governar sem maioria na Assembleia Nacional

“Há possibilidades de governo de Macron se ele fizer um acordo com a centro-direita, assim ele conseguiria os votos para governar”, considera.

E a reforma da previdência, que pretende aumentar a idade de aposentadoria para 65 anos, pode ser o assunto de convergência entre Macron e Os Republicanos. “A centro-direita quer uma reforma da previdência que seja forte e consistente, nesse ponto de vista, talvez esta seria a moeda de troca para ter o apoio dos Republicanos”, diz.

Ingovernabilidade no radar

Caso essa aliança não seja possível, o governo teme a paralisia de seus projetos na Assembleia causada por uma oposição que bloqueie votações.

Os 89 deputados da Reunião Nacional formarão a maior bancada da extrema direita que já chegou à Assembleia Nacional, e prometem fazer uma oposição dura ao governo.

Do outro lado do espectro político, a França Insubmissa conseguiu reunir em uma aliança os ecologistas, os socialistas e os comunistas e, dentro da Nupes, eleger a segunda maior bancada de deputados: 131 cadeiras. Além de outros 22 deputados eleitos pela esquerda.

Apesar de o líder da Nupes, Jean-Luc Mélenchon, prometer uma dura oposição a Macron, o professor da Sciences Po acredita que os partidos que formaram a coligação não devem seguir juntos nas votações legislativas, reduzindo assim a potência de bloqueio dessa oposição.

Mas se isso acontecer, e as reformas macronistas ficarem paradas resta uma possibilidade: “caso os partidos socialistas e outros partidos não ajudem, Macron pode dissolver o Congresso daqui um ano e chamar novas eleições legislativas”, lembra o cientista político.