Hoje na História: 1973 - Há 40 anos, militares aplicam golpe de Estado e afundam Chile na ditadura

Ação contou com interferência direta do governo dos EUA em um período de alta polarização política e convulsão econômica e social


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O golpe de Estado no Chile em 11 de setembro de 1973 foi uma ação militar levada a cabo pelas Forças Armadas e os carabineiros para derrocar o presidente socialista Salvador Allende e o governo esquerdista da Unidade Popular. Foi precedido por um período de alta polarização política e convulsão econômica e social. Os militares contaram com o apoio da direita política e de um amplo setor do Partido Democrata Cristão.

O golpe foi planejado inicialmente por um setor da Marinha com apoio dos Estados Unidos. Posteriormente a ela se juntaram generais do alto comando das Forças Armadas e dos carabineiros. O comandante em chefe do Exército, Augusto Pinochet, assumiu o comando. Houve também forte influência do exterior, em que se destacaram o presidente norte-americano Richard Nixon, o chefe do Conselho de Segurança Nacional, Henri Kissinger, o vice-presidente Gerald Ford e a CIA (central da inteligência norte-americana).

A intervenção estrangeira se dava num contexto mundial em que os Estados Unidos consideravam prioritário impedir o avanço do marxismo e do socialismo na América Latina. Nixon, tão logo assumiu, ordenou derrocar Allende. Uma série de documentos desclassificados da Casa Branca, divulgados pelo National Secret Archives e publicados em 2009, revelaram que Nixon ofereceu vantagens ao ditador brasileiro, o general Emílio Médici, num encontro na Casa Branca em 9 de dezembro de 1971para influir nas Forças Armadas chilenas com o fim de derrocar Allende. Médici respondeu: “deixo claro que o Brasil está trabalhando com esse objetivo”.

Wikimedia Commons

Bombardeio sobre o palácio La Moneda, sede presidencial chilena, em 11 de setembro de 1973

Foi em Valparaíso onde os oficiais comprometidos com a conspiração se reuniram em segredo com um oficial dos ‘marines’ estadunidense, o tenente-coronel Patrick Ryan, do Escritório de Inteligência Naval, que depois manteria contato com o almirante José Toribio Merino, chefe da Armada. As reuniões dos conspiradores com o pessoal diplomático e naval mais funcionários da CIA se tornaram frequentes.

Em 15 de setembro de 1970, durante uma reunião na Casa Branca, com presença de Kissinger, o presidente Nixon instruiu o diretor da CIA, Richard Helms, que a eleição de Allende era inaceitável, ordenando a agencia atuar segundo sua conhecida frase: “Faremos a economia do Chile berrar por socorro”, como registrou Helms em suas anotações.

WikiCommons - José Toribio Merino, articulador do golpe
A CIA lançou uma campanha maciça de operações encobertas, primeiro para impedir que Allende assumisse o governo, e quando essa estratégia fracassou, procurou minar sua governabilidade. “Nossa principal preocupação no Chile é a possibilidade de que Allende se consolide, e que sua imagem ante o mundo seja seu êxito”, disse Nixon ante seu Conselho de Segurança Nacional em 6 de novembro de 1970, dois dias depois da posse de Allende.

Obedecendo ao ditame, o governo dos Estados Unidos “estrangulou”, segundo Kissinger a economia do Chile promovendo atos como a greve dos caminhoneiros que paralisou o abastecimento de gêneros e o sistema de transporte.

Para evitar a chegada de Allende à presidência, Roberto Viaux e membros da organização de ultra-direita Pátria e Liberdade planejaram sequestrar o general René Schneider, com o objetivo de provocar a intervenção das Forças Armadas. Em 19 de outubro de 1970, um grupo de homens armadas de granadas de gás lacrimogêneo tentou sequestrar Schneider, mas fracassou. Um segundo intento teve lugar em 22 de outubro de 1970, quando o automóvel de Schneider foi bloqueado por quatro veículos, teve destroçado os vidros traseiros. Ao se darem conta que Schneider já empunhava sua arma, os sequestradores dispararam. O general faleceu três dias depois.

A Doutrina Schneider ditava o apego à ordem constitucional, respeito à vontade do cidadão e não intervenção na política por parte das Forças Armadas. Permitiu a eleição de Allende e era o principal obstáculo ideológico para um golpe de Estado militar.

O golpe, já era planejado, em agosto de 1973, praticamente pela totalidade de hierarquia da Armada, comandada pelo vice-almirante José Toribio Merino. Algo similar sucedia na Aeronáutica. Ao ser demitido por Allende, o comandante-brigadeiro Cesar Ruiz, que assumira o Ministério de Obras Públicas e Transporte, é substituído pelo brigadeiro Gustavo Leigh. O Exército estava dividido, porém a balança pendia cada vez mais a favor do golpe. O setor legalista era comandado por Carlos Prats, comandante-em-chefe do Exército.

Finalmente cai o general Prats. Em 21 de agosto, uma manifestação de esposas dos altos oficiais se produz diante de sua residência. É insultado e agredido. Desfeita a manifestação pelos carabineiros, ela se reorganiza com mais força. Chegam ao local Allende, alguns dos ministros e Pinochet, considerado o segundo de Prats. Todos são vaiados.

No dia seguinte, deprimido, pede aos generais que reafirmem sua lealdade. Como só uns poucos o fizeram, resolve renunciar ao posto. Recomenda a Allende que o cargo seja ocupado por Augusto Pinochet, caracterizado como um soldado profissional e apolítico.
 

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Houve a tentativa de um grupo de cabos, sargentos, suboficiais, marinheiros e pessoal civil de deter o golpe em marcha, chegando à tomada de navios e a detenção de oficiais a fim de alertar o país sobre a subversão em curso.

Alguns marinheiros se reúnem com Carlos Altamirano, secretário-geral do Partido Socialista, para adverti-lo da conspiração. Altamirano pronuncia então o discurso em que exclamou: “Se tentarem um golpe, Chile se transformará num segundo ‘Vietnã heroico’”. As Forças Armadas estavam preparadas para a sublevação. O problema era o general Prats que mantinha sua lealdade ao presidente e tinha a guarnição de Santiago e o comando de institutos militares em mãos de gente próxima. Não se sabia se Pinochet apoiava ou não o golpe.

Na sexta-feira, 7 de setembro, os generais fixam o dia D para 11 de setembro, terça-feira.

O general Sergio Stark é designado para conversar no dia seguinte com Pinochet. Explica-lhe a situação e diz que vai haver golpe com ou sem o seu apoio ao que Pinochet responde: “Eu não sou marxista, merda!”. O gesto é interpretado como apoio ao golpe, mas não estava claro.

Wikimedia Commons

Salvador Allende (esquerda) em celebração militar acompanhado de Carlos Prats (terceiro à direita)

No domingo pela manhã Allende se reúne com o comandante-em-chefe e outros generais. Explica que pretende anunciar um plebiscito. À tarde, Leigh visita Pinochet, que ainda vacilava.

Em 10 de setembro, às 16h00, zarpa a esquadra, tal como estava previsto, já que deveria participar das manobras navais Unitas , enquanto o exército se aquartela sem o conhecimento do ministro da Defesa, Orlando Letelier.

Na madrugada de 11 de setembro, a esquadra reaparece em Valparaíso e as Forças armadas tomam a cidade. O prefeito, Luis Gutiérrez, liga para o general Jorge Urrutia, sub-comandante dos Carabineiros, quem telefona imediatamente ao presidente. Allende se encontrava em sua residência de Tomás Moro e pede para localizar Pinochet e Leigh, em vão.

São organizadas as redes de comunicações entre os ramos das Forças Armadas, em especial com Leigh e com Patrício Carvajal, quem do ministério de Defesa, coordenaria o golpe.

Sepúlveda, diretor geral dos Carabineiros chega à La Moneda e assegura que suas tropas continuarão fieis ao governo, ignorando que a instituição já estava controlada pelos generais Cezar Mendoza e Arturo Yovane.

Às 8h42, a “Cadeia Democrática” emite a primeira proclamação. Allende deve entregar imediatamente seu cargo à junta de governo, integrada pelos chefes supremos das Forças Armadas: Pinochet, Leigh, Merino e Mendoza.

É dado ao presidente um ultimato: se La Moneda não for desalojada até as 11h, será atacada “por terra e ar”. Os militares fazem contato com o palácio presidencial e propõem tirar Allende do país, porém recebem uma resposta altiva – Allende não se irá render.

Pinochet entra em contato com Carvajal, quem lhe informa da decisão do presidente. Às 9h55, os tanques do general Palacio ingressam no perímetro de La Moneda. Franco-atiradores postados no alto dos edifícios vizinhos tratam de repeli-los. Em meio ao tiroteio, La Moneda ainda não estava sendo diretamente atacada. Porém, às 11h é bombardeada.

Leia aqui o Hoje na História sobre o 11 de Setembro chileno sob o ponto de vista  e protagonismo de Salvador Allende.

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